O que é taxa MDR? Entenda a taxa cobrada nas vendas com cartão

Por · Atualizado em 2 de setembro de 2026 · Taxas, Custos e Parcelamento

Aquela mordida que você vê no comprovante após passar um cartão tem nome técnico: MDR (Merchant Discount Rate). É uma taxa percentual abatida do valor bruto de cada venda para remunerar a credenciadora (como Stone, Cielo ou PagBank), a bandeira do cartão e o banco emissor. A conta é direta: se você passa uma venda de R$ 100,00 com MDR de 2%, caem exatamente R$ 98,00 líquidos na sua conta.

Principais conclusões

Este guia foca especificamente nas vendas com cartão físico e links de pagamento no comércio e serviços. Cobranças sobre Pix, boletos ou carteiras digitais têm regras próprias de precificação e ficam totalmente fora do cálculo da MDR.

O que significa a taxa MDR e como ela incide na sua venda

MDR significa Merchant Discount Rate, chamada no balcão de Taxa de Desconto do Lojista. Na prática, é a fatia retida na liquidação de qualquer pagamento no débito, crédito à vista ou parcelado. O terminal ou gateway aprova a transação e já retém esse percentual na fonte, entregando para o seu caixa apenas o saldo líquido.

O dinheiro retido pela MDR não vai todo para a dona da maquininha. Três agentes dividem essa receita:

Muita gente confunde essa retenção com imposto, mas a MDR é apenas uma despesa financeira privada pelo uso da infraestrutura de pagamentos. Para a Receita Federal e o Simples Nacional do MEI, o faturamento tributável continua sendo o valor bruto da nota fiscal emitida. O que a maquininha desconta antes de transferir para o banco não reduz sua receita bruta declarada.

Cálculo da MDR: exemplos práticos no débito, crédito à vista e parcelado

Calcular o valor líquido é simples: pegue o valor bruto da venda e subtraia a taxa percentual da maquininha. Em termos de liquidação, basta multiplicar o total bruto por um menos a taxa dividida por cem.

A conta fecha assim: Valor Líquido = Valor Bruto x (1 - (MDR / 100)). Para ver como isso bate no bolso em uma venda de R$ 100,00, compare o resultado nas três modalidades mais comuns:

Cuidado redobrado com contratos que embutem um valor fixo por operação além da porcentagem, algo comum em maquininhas para iniciantes. Se o plano cobra 2,99% mais R$ 0,40 por passada, vender um item de R$ 10,00 custa R$ 0,30 de taxa percentual e mais R$ 0,40 da tarifa fixa. Você perde R$ 0,70 nessa operação, elevando o custo real para 7,00%. No ticket baixo, a tarifa fixa devora sua margem de lucro sem dó.

MDR versus outros custos: antecipação, aluguel e tarifas adicionais

A MDR cobre apenas o processamento da transação e a liquidação financeira. Ela não tem relação com outras três despesas comuns que costumam inflar a fatura mensal da maquininha:

Custo ou TarifaO que remuneraQuando incideImpacto na margem de lucro
MDR (Taxa de Desconto)Captura da transação, repasse à bandeira e taxa de intercâmbio bancárioNo ato de cada venda aprovada no débito ou créditoDesconto percentual previsível sobre o faturamento bruto
Taxa de Antecipação (RAV)Custo financeiro pelo adiantamento de parcelas futuras antes do vencimentoNa contratação de antecipação automática ou avulsa de crédito parceladoPerda agressiva que pode ultrapassar de 10% a 20% do valor da venda
Aluguel da MaquininhaCessão de uso, troca de hardware, garantia técnica e suporte ao terminal físicoMensalmente, via boleto ou compensação automática nos recebíveisCusto fixo que eleva o ponto de equilíbrio nos meses de pouco movimento
Tarifa de ConectividadeTráfego do chip M2M de dados telefônicos e pacote de comunicação sem fioMensalmente ou inclusa em pacotes de manutenção de serviçosDespesa pontual que penaliza pequenos comerciantes com baixo faturamento

Olhar cada linha do extrato evita pegadinhas clássicas. Aquele terminal vendido sem aluguel costuma compensar a isenção de outro jeito: taxas MDR bem mais altas e antecipação automática obrigatória no crédito parcelado.

Por que a taxa MDR varia por bandeira, modalidade e volume de vendas

A taxa cobrada de você depende de regras do Banco Central, do risco operacional do seu segmento e, acima de tudo, do seu faturamento mensal na maquininha.

Como comparar propostas de credenciadoras e negociar suas taxas

Para negociar condições melhores, coloque o histórico de vendas na mesa. Uma proposta vantajosa para quem fatura no débito pode ser um péssimo negócio para quem vende no parcelado em dez vezes.

  1. Mapeie o mix real de faturamento: extraia o relatório dos últimos noventa dias do seu negócio e calcule a proporção exata vendida em cada modalidade (por exemplo: 50% em débito, 30% em crédito à vista e 20% em parcelado de 2 a 6 vezes).
  2. Identifique o regime de liquidação contratual: verifique se a proposta comercial prevê o recebimento das vendas parceladas no fluxo original (D+30, D+60 e D+90) ou se embute a antecipação automática para D+1 ou D+2, modalidade que encarece o custo do dinheiro.
  3. Calcule o Custo Efetivo da Transação ponderado: multiplique a taxa proposta para cada modalidade pelo percentual que ela representa no seu mix de vendas, somando mensalidades de aluguel ou taxas fixas de saque rateadas pelo faturamento bruto projetado.
  4. Apresente os números à credenciadora em uso antes de trocar de máquina: mostre ao representante comercial da sua adquirente o volume consolidado de pagamentos transacionados e solicite formalmente a equiparação tarifária antes de cancelar o credenciamento.

Erros frequentes ao analisar a taxa MDR da maquininha

Quem olha apenas o preço da maquininha costuma pagar caro depois. As letras miúdas do contrato escondem tarifas de inatividade, custos de transferência e taxas que disparam após os primeiros meses de uso.

Checklist de verificação: audite a taxa MDR no seu extrato

Reserve uma hora no primeiro dia útil do mês para auditar o extrato da credenciadora. Esse hábito simples evita que descontos indevidos e tarifas extras drenem o seu capital de giro.

Perguntas frequentes

A taxa MDR incide sobre vendas recebidas via Pix na maquininha?

Não. O Pix não passa pelas bandeiras nem envolve a taxa de intercâmbio dos cartões, ficando totalmente fora da MDR. As credenciadoras cobram uma tarifa própria de liquidação para pessoas jurídicas, geralmente fixada em percentual menor ou em valor fixo por transação.

O estabelecimento pode repassar a taxa MDR para o consumidor final?

Sim. A Lei Federal nº 13.455/2017 autoriza cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento e o prazo. Você pode conceder desconto no dinheiro ou no Pix e praticar valor mais alto no cartão, desde que mantenha os preços claramente informados ao cliente antes da cobrança.

Existe taxa MDR mínima ou máxima fixada por lei no Brasil?

Não existe teto geral para a MDR final cobrada do comerciante. O Banco Central limita apenas a taxa de intercâmbio média no débito em 0,50%, com teto de 0,80% por transação via Resolução BCB nº 244. No crédito e nas margens das adquirentes, os percentuais seguem em livre concorrência.

A MDR é cobrada se a venda for cancelada no mesmo dia?

Não. Quando o cancelamento é realizado no mesmo dia da transação diretamente na maquininha, a cobrança é desfeita e a MDR é estornada integralmente. Já em estornos solicitados dias depois ou em chargebacks por contestação de fraude, os prazos e custos residuais dependem do contrato com a credenciadora.

André Pires

André Pires

Editor-chefe do CashReasons / Contador

André Pires edita o CashReasons e responde pela apuração das taxas e pela checagem final dos números que entram nos comparativos. Acompanha o mercado de adquirência brasileiro há mais de dez anos, do MDR à antecipação de recebíveis e às letras miúdas do contrato de aluguel de terminal, e escreve para quem está do outro lado do balcão: o dono do negócio que paga a taxa. Nenhum preço vai ao ar aqui sem conferência na fonte oficial da empresa ou nos dados públicos do Banco Central e da ABECS.