Qual maquininha de cartão tem a menor taxa em 2026? Compare o custo real por perfil

Por · Atualizado em 8 de setembro de 2026 · Taxas, Custos e Parcelamento

Seu cliente passa um produto de R$ 1.200 em dez vezes no balcão. Naquele segundo, o aparelho sobre a bancada decide se entram R$ 1.110 líquidos na sua conta amanhã ou se quase R$ 200 evaporam em taxas de intermediação e antecipação.

Principais conclusões

Em 2026, a resposta para qual máquina tem a menor taxa depende do seu cadastro. A InfinitePay sustenta as menores tarifas para quem tem CNPJ ou MEI e gira a partir de R$ 3.000 por mês.

Já o Ton (Stone), no Plano Black, cobra o menor custo real para pessoa física e autônomo sem exigir metas duras de faturamento.

Resposta rápida: a menor taxa depende de faturamento, modalidade e prazo

No papel, a InfinitePay lidera em custos para empresas e o Ton Black vence para CPF. Mas essa conta só fecha se a rotina do seu comércio bater com a política de repasse de cada empresa. O Custo Efetivo Total da máquina depende do seu volume bruto mensal, da fatia de vendas no débito contra o parcelado longo e do prazo combinado para o dinheiro cair na conta.

O impacto do prazo de liquidação no percentual final

Receber na hora (D+0) ou no dia seguinte (D+1) custa caro porque a maquininha financia o risco da operação, inflando a mordida sobre cada venda. Quem tem caixa para esperar e receber mês a mês (D+30) vê essa despesa cair para algo entre 3% e 5% no parcelado. Só que o microempreendedor precisa pagar o fornecedor ontem: a antecipação automática vira rotina forçada, e qualquer meio ponto percentual a mais corrói o lucro do mês.

Cadastro via CPF contra pessoa jurídica

O tipo de documento cadastrado dita o preço do serviço em quase todas as operadoras autorizadas pelo Banco Central do Brasil. Empresas com foco em pessoa jurídica cobram menos porque liquidam volumes maiores com Visa e Mastercard, exigindo CNPJ ativo ou certificado MEI. Vender no CPF costuma ter aprovação imediata nos planos para autônomos, mas a fatura vem no crédito parcelado, onde as taxas sobem para cobrir o risco maior da operação.

Tabela comparativa de taxas por operadora em 2026

Abaixo estão as alíquotas reais para novos credenciamentos com recebimento antecipado em D+0 ou D+1, calculadas sobre operações padrão nas principais bandeiras do mercado brasileiro.

Operadora e PlanoDébito (D+0 ou D+1)Crédito à vistaCrédito 12x (Antecipado)Pix na MáquinaPrazo de Depósito
InfinitePay (Plano Padrão CNPJ)0,75% a 0,85%2,89% a 2,99%7,45% a 8,20%0,00%Dia útil seguinte (D+1)
Ton (Stone - Plano Black)0,84% a 1,39%3,15% a 3,20%10,99% a 12,40%0,00%1 dia útil (D+1)
PagBank (Plano Padrão Antecipado)1,59% a 1,99%3,19% a 3,79%12,99% a 14,90%0,00% nos primeiros mesesNa hora ou 1 dia útil
Mercado Pago (Plano Dinheiro na Hora)1,68% a 1,99%3,98% a 4,98%13,90% a 16,15%0,00% a 0,49%Imediato (D+0)
SumUp (Plano Antecipado)1,25% a 1,35%3,10% a 3,30%12,90% a 13,90%0,00%1 dia útil (D+1)

Esses números deixam de fora qualquer promoção relâmpago de adesão e mostram a tarifa padrão que continua valendo depois que a carência acaba. O abismo real aparece no parcelamento em doze vezes: a InfinitePay abre mais de quatro pontos percentuais de vantagem sobre adquirentes tradicionais, e o Ton Black segue com a menor taxa de longo prazo para quem não quer ou não pode abrir CNPJ.

Raio-x das operadoras: regras contratuais, planos e travas de volume

Taxa promocional versus taxa recorrente: como identificar armadilhas nos contratos

Propaganda com débito a 0,49% e crédito à vista a 0,99% é a isca clássica das adquirentes. O detalhe é o prazo: essas condições promocionais morrem em 30 ou 90 dias, ou no momento em que você atinge o limite de R$ 2.000 a R$ 5.000 passados na máquina.

Acabou a promoção, a cobrança pula para a tabela padrão sem aviso nem renovação de contrato. Aquele débito que parecia vantajoso a 0,99% vai para a faixa de 1,60% a 2,20%, e o parcelado em doze vezes salta de tarifas subsidiadas para descontos que passam fácil de 14% sobre o total da venda.

Como auditar as regras contratuais antes da compra

Para não levar susto na conciliação do fim do mês, leia as letras miúdas no regulamento da promoção no site da empresa. Veja se existe meta de faturamento mensal para segurar a taxa mais baixa, porque várias marcas rebaixam sua conta para planos mais caros se as vendas caírem abaixo do mínimo exigido.

O jeito como o aplicativo apresenta as cobranças diz muito sobre a credenciadora. Plataformas sérias colocam um simulador claro à disposição e detalham no extrato e na filipeta o valor bruto da transação, o percentual de intermediação e o desconto exato da antecipação.

Cálculo do valor líquido: quanto sobra de R$ 100, R$ 1.000 e R$ 10.000 vendidos

Olhar números percentuais soltos engana. O impacto só dói de verdade quando você calcula o desconto em reais sobre o movimento diário da sua loja. É na ponta do lápis que a diferença entre um plano enxuto e uma taxa de balcão descuidada mostra quanto dinheiro fica preso na mão da intermediadora.

Simulação de R$ 100 no débito e no crédito à vista

Passe R$ 100 no débito para receber no dia seguinte: a InfinitePay repassa R$ 99,20 limpos, o Ton Black entrega R$ 99,16 e o Mercado Pago paga R$ 98,01 na liberação imediata. Na mesma venda de R$ 100 no crédito à vista com prazo de um dia útil, sobram R$ 97,10 na InfinitePay e R$ 96,80 no Ton Black, enquanto carteiras com tabelas cheias devolvem cerca de R$ 95,02.

O impacto de R$ 1.000 divididos em 6 e 12 parcelas

A distância abre de vez quando o cliente parcela com antecipação total. Em uma compra de R$ 1.000 dividida em 12 vezes, a InfinitePay desconta perto de R$ 78,00 e coloca R$ 922,00 na sua conta no dia útil seguinte. No Ton Black, a mordida fica por volta de R$ 115,00, liberando R$ 885,00.

Já em planos padrão com saque imediato de concorrentes como PagBank ou Mercado Pago, o desconto total gira entre R$ 145,00 e R$ 162,00, consumindo até 16% do valor bruto que você faturou.

O efeito acumulado em R$ 10.000 mensais de faturamento

Pense num comércio que fatura R$ 10.000 por mês. Metade desse volume entra parcelada de 6 a 12 vezes; a outra metade se divide entre débito e crédito à vista. Nessa conta, a escolha da maquininha mexe pesado no seu lucro líquido.

Em operadoras com antecipação pesada, vão embora cerca de R$ 1.150 mensais só em taxas financeiras. Já nas adquirentes com planos competitivos, essa despesa cai para a faixa de R$ 580 a R$ 680.

Ao fim de doze meses, são mais de R$ 5.600 que continuam no seu caixa: dinheiro suficiente para cobrir impostos anuais, repor estoque de giro ou fazer melhorias físicas no ponto comercial.

Parcelamento e antecipação: por que a máquina mais barata no débito pode dar prejuízo

A taxa básica de intermediação, o chamado MDR (Merchant Discount Rate), é apenas a ponta do iceberg nas vendas a prazo. O custo que realmente encolhe a margem do comércio varejista é a taxa de antecipação de recebíveis. É ela que a credenciadora desconta todo mês sobre cada parcela futura quando você decide não esperar o prazo padrão de trinta dias de cada vencimento para acessar os recursos.

A estrutura de composição do MDR e da antecipação

O MDR básico remunera o arranjo de pagamento, a credenciadora e o banco emissor do cartão. A antecipação funciona de outro jeito, como um empréstimo rápido garantido pelas suas próprias vendas: a adquirente cobra uma fatia mensal proporcional aos meses que faltam para cada parcela vencer. Uma alíquota aparentemente baixa de 1,80% ao mês na antecipação faz uma venda em doze vezes reter quase 15% do valor bruto pago pelo cliente.

A armadilha da ilusão do débito barato

Muitos comerciantes cometem o erro de escolher o terminal só porque viram uma taxa de débito de 1,10%, ignorando que o débito representa meros 15% do faturamento da loja. Se a maior parte da sua receita vem de produtos ou serviços quitados em 6 ou 12 vezes, a matemática muda de figura.

Uma operadora que cobra 1,39% no débito mas segura o parcelamento em 12 vezes abaixo de 11% garante um lucro líquido final muito maior do que uma concorrente com débito promocional e parcelamento fixado em 16%.

A opção de antecipar exige equilíbrio com o cronograma financeiro da empresa. Estabelecimentos com fôlego de caixa para absorver o fluxo natural de pagamentos (recebendo parcela a parcela a cada trinta dias) conseguem operar com os planos tradicionais sem antecipação. Nesses modelos, você quita apenas o MDR contratado e elimina por completo os juros de desconto sobre as vendas futuras.

Custo total da operação: terminais, contas vinculadas, Pix e vouchers

O percentual descontado em cada venda na maquininha não encerra a conta do Custo Efetivo Total suportado pela empresa. Para compreender o impacto real no faturamento, o empreendedor precisa colocar na ponta do lápis os gastos de aquisição do aparelho físico, eventuais tarifas de transferência bancária e os percentuais cobrados no Pix direto no PDV e em cartões de benefícios corporativos.

Aquisição definitiva contra aluguel e comodato

A compra definitiva do terminal, modelo adotado por Ton, PagBank e Mercado Pago, elimina o aluguel recorrente: o equipamento vira patrimônio do negócio logo após a taxa de adesão. Já no comodato ou na locação oferecida por empresas como Stone e Cielo, a isenção de mensalidade exige faixas elevadas de faturamento. Caso as vendas sofram uma queda imprevista no mês, o comerciante arca com cobranças de aluguel que variam de R$ 50 a R$ 150.

A disparidade de custos entre bandeiras dominantes e regionais

Transações processadas pelas bandeiras dominantes Visa e Mastercard aproveitam as menores taxas de intermediação do mercado graças à alta liquidez e ao teto de intercâmbio regulamentado. Por outro lado, pagamentos feitos com Elo e Hipercard, além de cartões empresariais ou internacionais, costumam sofrer acréscimos automáticos de 0,40% a 1,50% sobre a taxa base. Quem não acompanha o demonstrativo de recebíveis por emissor acaba pagando bem mais caro sem perceber.

Tarifas sobre Pix no terminal e habilitação de vouchers

O Pix é gratuito entre pessoas físicas nos aplicativos bancários, mas as adquirentes cobram taxas de 0,00% a 1,19% quando o pagamento passa pelo QR Code dinâmico na tela da máquina. Além disso, aceitar vouchers de refeição e alimentação como Ticket, Pluxee (Sodexo) e Alelo exige contratos à parte com cada emissora de benefícios: as comissões setoriais podem chegar a 7% do valor da venda, com prazos de liquidação que costumam bater em 30 dias.

Ranking por perfil de negócio: qual maquininha escolher para o seu cenário

Para tomar a decisão financeira correta hoje, levante o extrato das suas vendas dos últimos três meses. Se a maior fatia do faturamento entra parcelada no cartão de crédito, contrate a InfinitePay se tiver CNPJ ou adote o Ton no Plano Black se atuar como pessoa física. Deixe de lado pequenas oscilações na taxa de débito e proteja sua margem onde o custo da antecipação realmente pesa no caixa.

Perguntas frequentes

Pessoa física sem CNPJ consegue contratar as maquininhas com as menores taxas?

Sim. Opções como o Ton no Plano Black, a SumUp e o PagBank aceitam cadastro por CPF mantendo taxas competitivas no crédito parcelado. A principal barreira ocorre na InfinitePay, que detém as menores tarifas do mercado em 2026, mas restringe o credenciamento a quem possui CNPJ ativo ou MEI.

O que acontece com a taxa se eu faturar menos que a meta mensal exigida pela operadora?

O comerciante perde as condições promocionais e é transferido para a tabela padrão, que cobra percentuais bem mais altos no parcelado. Em contratos corporativos com aparelhos em comodato ou aluguel, a queda no volume também ativa a cobrança mensal do terminal, custando entre R$ 50 e R$ 150.

É possível repassar a taxa de parcelamento da maquininha diretamente para o cliente?

Sim. A legislação brasileira permite a diferenciação de preços conforme o meio de pagamento e o prazo. Terminais e aplicativos como Ton, PagBank e Mercado Pago trazem o modo de parcelamento comprador, que calcula e acrescenta os juros de antecipação na cobrança sem descontar da margem líquida da sua venda.

Aceitar vouchers de refeição e alimentação (VR/VA) altera a taxa da maquininha?

Sim. Os vouchers não seguem as taxas padrão de débito e crédito da adquirente. As tarifas dependem de credenciamento prévio com cada bandeira de benefício (como Alelo, Ticket e Pluxee), costumam alcançar de 4% a 7% por transação, liquidam em cerca de 30 dias e exigem CNPJ com atividade comercial compatível.

André Pires

André Pires

Editor-chefe do CashReasons / Contador

André Pires edita o CashReasons e responde pela apuração das taxas e pela checagem final dos números que entram nos comparativos. Acompanha o mercado de adquirência brasileiro há mais de dez anos, do MDR à antecipação de recebíveis e às letras miúdas do contrato de aluguel de terminal, e escreve para quem está do outro lado do balcão: o dono do negócio que paga a taxa. Nenhum preço vai ao ar aqui sem conferência na fonte oficial da empresa ou nos dados públicos do Banco Central e da ABECS.